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O que a mídia está falando sobre o Brasil na COP25

Giovana Girardi fez uma excelente análise das dificuldades que o Brasil encontrará na COP25 se o plano do governo é simplesmente o de conseguir mais dinheiro. Primeiro, porque vai ter que explicar a alta na taxa de desmatamento na Amazônia e o fim da moratória para plantar cana de açúcar na região, entre outras coisas. E segundo, porque o dinheiro que o ministro Salles considera que os países ricos devem ao Brasil, provavelmente será destinado aos países mais pobres, e não àqueles em desenvolvimento.

Daniela Chiaretti registrou umas frases fantásticas do ministro Salles na sua matéria para O Globo. Coisas como “Isso não é comigo. E o mercado, que vai se virar”, “Se o vazamento [desmatamento] vai para o vizinho, o problema é do Estado vizinho” e até “Ou o Acordo de Paris tem resultado positivo para o Brasil ou não vamos ficar negociando o que não tem resultado prático. O que o Brasil ganha com isso aqui?”. Chiaretti também escreve que o ministro afirmou estar próximo a fechar um acordo com a Alemanha e Noruega para um novo fundo. Uma observação interessante feita na matéria é que, justo às vésperas da COP, o governo brasileiro recriou alguns dos concelhos ambientais que tinham sido eliminados durante os primeiros meses da gestão Bolsonaro. A decisão responderia a uma estratégia para conseguir canalizar mais recursos estrangeiros voltados para a conservação.

O Ministro do Meio Ambiente, Ricardo Aquino Salles. Foto: Flickr/Palácio do Planalto

A ClimaInfo também tem um boa matéria sobre o papel do Brasil na COP25. Eles recopilaram informações de diferentes fontes e fizeram algumas observações interessantes. Uma delas é que, de acordo com o Jake Springs, da Reuters, os negociadores da delegação brasileira “estão desconectados dos líderes políticos e não têm clareza sobre seus objetivos”. Na matéria da ClimaInfo se especula que isso poderia conduzir a situações nas que, por exemplo, acordos chegados entre os negociadores não fossem depois aprovados pelo governo. A matéria também tem trechos da fala do especialista em negociações, Tasso Azevedo ao jornal alemao DW. Azevedo lamenta que o Brasil tenha perdido o papel que tinha de líder ambiental desde a conferência do clima de Rio 1992.